Gerentes de Projetos no Cockpit!

03 de Agosto de 2010

Recentemente li um artigo de Ray Stratton onde ele comenta sobre os 16 principios que devem ser compartilhados entre pilotos e gerentes de projetos.

Ray, além de gerente de projetos há um longo tempo, nas horas vagas pilota aviões para a Angel Flight (organização sem fins lucrativos que transporta pacientes sem condições financeiras para centros médicos). Importante salientar que Ray tem mais de 1000 horas de vôo (sem acidentes!!!).

Vamos fazer uma pequena comparação lógica: um projeto deve ser único, um vôo também. Um projeto utiliza recursos limitados, um vôo também. Um projeto deve satisfazer as expectativas dos stackeholder, um vôo nem se fala. Um projeto tem o gerente de projeto, um vôo tem o piloto.

Logo, chegamos a conclusão: Um vôo é um projeto e vice-versa, certo?

Se você é gerente de projetos e/ou passageiro e balançou a cabeça positivamente, atente para estes dados:

  • pouco mais de 50% dos projetos atingem seus objetivos;
  • aproximadamente, 1/3 dos projetos terminam dentro do prazo e orçamento projetado.

Não quero assustar ninguém, mas se cada vôo é um projeto, você vai realmente fazer o checkin? Língua de fora


Então vamos a mais umas estatísticas, nos EUA, dos milhares de vôos diários:

  • cerca de 80% aterrisam no horário previsto;
  • dos atrasos, 70% são decorrentes de condições climáticas;
  • taxa de acidentes é de 0,12 para cada 100 mil horas voadas.

Ou seja, você vai fazer o seu checkin sabendo que tem menos de 1% de chance de acidentes. Se quiser saber dados semelhantes no Brasil, acesse os sites da Anac e Infraero. E se gosta de aviação e quer se distrair um pouco, visite o radar do Air Trafic Team.


Então, Voltando ao assunto, gostaria de citar 8 dos principios de pilotagem que nos servem como confortáveis meias de lã nestes dias de inverno rigoroso:

  • Antes de preencher o plano de vôo, os pilotos fazem uma estimativa da distância a ser percorrida, quanto combustivel será necessário, carga máxima de passageiros e bagagens, autonomia da aeronave, etc. Se o piloto for direto ao preenchimento do plano de vôo, em uma situação fora do comum, pode apresentar comprometimento emocional importante.
  • Um pilotos experiente sabe que seus passageiros tem a expectativa de ter um vôo mais curto, mais suave e com a melhor paisagem, no entanto ele sabe que suprir todos os desejos na mesma viagem é, praticamente, impossível.
  • Os pilotos aprendem que existem muitos caminhos para se chegar do ponto A ao ponto B. No entanto, tem a noção exata de que a rota mais segura não, necessariamente, deve ser a mais curta. É preciso avaliar os ventos, turbulências, capacidade da aeronave, interesses dos passageiros e só após optar pelo melhor caminho.
  • Durante o planejamento do vôo, os pilotos podem chegar a conclusão que o mesmo é inviável e que decolar é um erro. Dessa forma, eles devem preparar os passageiros para ouvir "o vôo não pode ser feito com segurança e por isso não partiremos".
  • Durante o vôo, o progresso do mesmo é confrontado com o que foi planejado. A rota está correta, o consumo de combustível está de acordo? qual pista para pouso de emergência está mais próxima? A avaliação contínua de combustível e tempo restante é fundamental para completar o vôo;
  • Os acidente ocorridos se dão quando ocorrem distrações da tripulação. O piloto, bem como a sua equipe não devem perder o foco.
  • Gerenciamento de Recursos do Cabine é uma ferramenta utilizada pela tripulação para ter certeza que todos estejam confortáveis em relação às decisões que estão sendo tomadas. O piloto houve as idéias e opiniões de todos os envolvidos antes de tomar qualquer ação crítica.
  • As aeronaves modernas podem, literalmente, voar através de sistemas de piloto automático. No entanto, alguns acidentes tem ocorrido quando esses sistemas não funcionam conforme o esperado. Porém, os pilotos só fazem uso desses sistemas de um determinado ponto em diante, quando os critérios de controle e segurança estão estabelecidos.


Creio que as regras são válidas e nos ajudam a refletir sobre diversos problemas rotineiros. Quem dera daqui há alguns anos tenhamos estatísticas de projetos tão positivas quanto as da aviação.

Devemos ter bem claro também que, mesmo com toda a tecnologia a seu favor, os pilotos são fundamentais para que o vôo decole e aterrise de acordo com o planejado. 
Da mesma forma, o GP deve estar sempre atento e pronto para fazer uso das suas habilidades técnicas e comportamentais sem deixar seu projeto solto ou "nas mãos" do piloto automático, por melhor que ele seja.


Bem, se quizer saber de todas as regras do Ray Stratton, acesse o Pilot Rules for PMs.


Era isso!

Giancarlo Marques de Moraes, MSc, PMP

• Projetos


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