Inicio, meio e fim… Só isso!

10 de Agosto de 2010

Algumas questões são realmente fascinantes no ambiente corporativo.

Tempos atrás eu participava de uma "reunião de acompanhamento" dos projetos do departamento de TI. O GP apresentava sua Análise de Valor Agregado justificando alguns atrasos devido a superalocação de recursos quando subitamente foi interrompido por um gerente departamental e questionado sobre o Projeto Alfa36.

Prontamente, o GP respondeu que desde seu ingresso na organização o projeto Alfa36 estava parado e ninguém mencionou que o mesmo deveria ser continuado, muito menos, por ele.

Tal afirmação foi o estopim para que os demais gerentes funcionais presentes trocassem o foco da reunião de andamento para a parada do Projeto Alfa36. A discussão estendeu-se por alguns minutos até que o responsável pela área disse: "A única coisa que eu queria era que os nossos projetos tivessem inicio, meio e fim... Só isso!"

O desabafo me fez refletir sobre o seguinte aspecto: Como os "projetos" nas empresas chegam nesse nível a ponto de ir contra seu próprio conceito?

Nesse aspecto, percebo duas situações bem distintas:

  • Há casos onde as organizações tratam seus projetos como algo a parte de seu negócio, como uma "entidade" superior, externa e extrema. Não raramente me deparo em situações onde, ao apresentar sua empresa, o proprietário aponta para uma sala e diz "aqui são os projetos"(?). Isso soa tão estranhamente que afeta, inclusive, os demais colaboradores da empresa. Como se os mesmos estivessem "fora do projeto". Para esses caso, uma boa argumentação foi apresentada pelo Prof. Paul Dinsmore no seu artigo Tudo é Projeto!.
  • Também existem casos (bastante comuns) onde ocorre a verdadeira banalização dos projetos. Eles aparecem e desaparecem randomicamente por entre a organização
    como produto de conversas, pedidos de clientes, demandas departamentais, etc, em meio a uma rotina onde, norteada pela urgência e pelo imediatismo, são aprovados. Da mesma forma, por motivos também diversos como perda de patrocinio ou relevância política, esses projetos não são finalizados. Então começam a
    deteriorar, morrendo lentamente mas consumindo recursos importantes até o dia do juízo final (se esse chegar!). Um exemplo perfeito e bem humorado é o Projeto Bradley do filme The Pentagon Wars.


Acredito que, nas duas situações, exista não apenas uma falta de entendimento conceitual como também ferramental para o adequado gerenciamento de projetos alinhados aos objetivos da empresa (eu sei, poderíamos falar de Project Portfolio Management - PPM - mas isso é assunto para outro post).

Mas, voltando ao mote deste post, me faço os seguintes questionamentos:

  • Porque algumas empresas deixam os determinados projetos no limbo mesmo que esses possuam complexidade, natureza e importância estratégica semelhante a outros priorizados?
  • Porque ainda existe receio em encerrar um projeto já "morto" mesmo que ele esteja contra as novas diretrizes?
  • Porque, mesmo em organizações com nível razoável de maturidade de GP, alguns projetos ainda estão nas mãos de pessoas que agem como "cães cuidando do seu osso"?

Enquanto essas perguntas estiverem abertas, não faltará diretores, gerentes, patrocinadores que em um acesso de raiva ou desabafo diga aos quatro ventos: Meu Deus, eu apenas queria um projeto que tivesse início, meio e fim. Só isso!!! 

 

Era isso!!

 

Giancarlo Marques de Moraes, MSc, PMP

• Projetos


Comentários

Lisiane - 11 de Ago | 12:01 AM

Olá Giancarlo. Interessante esta sua matéria, visto que em muitas situações de grande empenho do GP nos vemos frequentemente envolvidos em impasses políticos dentro da empresa do cliente. Acredito que a exposição da carteira de projetos e priorização dos mesmos, acessível visualmente à todos da empresa possa contribuir modestamente para que o foco nas diretrizes iniciais seja mantido e conjuntamente revisto. Outro ponto que pode contribuir é a figura de um Analista de Negócio de forte influência na diretoria e por consequência, alinhado ao planejamento estratégico da empresa, assim como a carteira de projetos. Abraço.

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